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O grande problema da comunicação é que cada pessoa fala uma coisa e cada pessoa que ouve, interpreta de uma forma.

Então como garantir que a comunicação seja feita com clareza e que a mensagem fique clara para todos?

Dá para perceber claramente quando a pessoa não ouve. Observe que, geralmente, a pessoa que ouve pensa a respeito da pergunta, e os olhos viram para cima como se pudesse ler os pensamentos. Então é sinal de que ela não ouviu. Fala Você no lugar de Eu, quando se refere a si mesmo, e sofre com a falta de clareza da comunicação.

O que será que acontece nesta empresa que a mensagem não chega clara para o funcionário?

Às vezes é rebuscada, às vezes muito técnica, não considerando que esta comunicação deve ser feita em camadas. Por exemplo, a diretoria fala com alguns de uma forma, mas quando vai falar com o operário, tem que falar com uma linguagem diferente, criar outro clima, arar a terra antes de semear. A comunicação é como semente, não frutifica se jogada numa terra árida. É preciso, assim como na terra, preparar o ambiente, para se colher bons frutos.

As empresas hoje promovem pequenos eventos de vinculação para que as pessoas possam ficar mais próximas. Aquela da mais alta hierarquia com aqueles funcionários que são a mão-de-obra, tão importantes para a empresa. Uma vinculação para que não se sintam tão distantes, esperando que alguma “entidade do Olimpo” venha falar com eles. Sentida como falta de consideração, falta de reconhecimento do seu valor dentro da empresa, produz insatisfação e provoca evasão do trabalho, dificuldades emocionais e psicológicas e doenças de repetição. Os atestados e laudos dos postos de saúde, dos hospitais e dos médicos, indicam que o diagnóstico e tratamento com medicação neurológica e psiquiátrica, faz com que o funcionário fique mais lento, mais ausente, às vezes também não consiga ir trabalhar.

Problemas de coluna, digestivos, enxaquecas, meses de licença tendo como motivação alguma coisa do ambiente externo, uma insatisfeita que a pessoa não tem consciência, mas muitas vezes, o ambiente de trabalho não tem nenhuma responsabilidade sobre esta situação. É uma consequência da insatisfação da própria pessoa.

Há pessoas que não conseguem agradecer, reconhecer o quanto é bom ter aquele trabalho, e o quanto é bom estar trabalhando. E ouço dizer: tenho que trabalhar amanhã. Como tenho que trabalhar? Eu vou trabalhar amanhã, mas eu não tenho que ir trabalhar amanhã. Eu posso recusar, é do meu livre arbítrio, posso escolher viver na rua, sem nenhum trabalho, por exemplo.

Eu trabalho, porque o trabalho é lindo e a satisfação gera um rendimento, que proporciona conforto e uma vida melhor. Eu tenho que ir trabalhar, eu tenho que ir pra escola, eu tenho que ir pra natação, eu tenho que ir naquele jantar, eu tenho que sair com minha esposa. Então, “o ter que”, neste discurso mostra o quanto a pessoa está neurótica. Ninguém tem que nada, como uma obrigação. Eu vou se eu quero, ou não quero.

Nas relações profissionais sobram críticas, reclamações de ambas as partes, tanto da chefia, quanto dos trabalhadores. O que de efetivo pode ser feito para que esta comunicação seja mais ativa?

Primeiramente parar de reclamar, porque a constante queixa, a constante reclamação é simplesmente comodismo, hábito repetitivo de ficar sempre na mesma nota, sempre no mesmo círculo vicioso, queixo, queixo, queixo, queixo. Quando cessa a queixa, o indivíduo começa a canalizar de outra forma, e não descarregando na queixa. Vai à busca das soluções e acha soluções.

Algumas destas soluções são proporcionadas por conversas internas, assim: ”eu tenho uma dificuldade aqui na empresa e preciso resolver”, então reúno com o time e com a chefia para que estes líderes e eu resolvamos e neutralizemos esta dificuldade. Dissolvemos esta dificuldade e tornamos este ambiente melhor.

Eu me sinto feliz porque participei, porque elaborei, eu me sinto feliz porque fui ouvido na minha crítica, queixa, necessidade ou desprazer que estava sentindo e resolvi!

Quando a empresa não resolve através de seus próprios recursos, tentando resolver sem sucesso, é necessário procurar um profissional que ajude. O que a empresa vai investir neste profissional vai dar um avanço na produção, gerando lucro no final da cadeia produtiva. Investir em si é sempre magnífico, sempre é um investimento sem prejuízo, que nunca é incerto, e tira do momento de dificuldade, resultados muito importantes: o que eu quero e não quero para minha vida, passando pelo corpo através dos 5 sentidos.

Estas dificuldades de comunicação acabam fazendo parte da vida de todos nós. Uma comunicação mais clara, mais efetiva com o próximo nas empresas, ambientes corporativos e também no ambiente familiar é 50% das soluções, ou às vezes até mais. Nos condomínios, por exemplo, por pura falta de comunicação, os problemas acontecem e as pessoas ficam se perguntando por que ninguém começou a estabelecer o diálogo antes.

Qualquer pessoa pode aprender a se comunicar com o outro. O ser humano tem evoluído muito tecnologicamente, o lado racional e científico, mas o lado humano está muito atrás. A partir do momento em que há solidariedade, a comunicação vem automaticamente, seja no meio social, no meio esportivo, enfim em todas as esferas.

Para atingir um bom nível de comunicação as pessoas devem conseguir se expressar com clareza. Isto se deve muitas vezes a falta de coragem de deixar claros posicionamentos, gerando ruídos e conflitos. Falta postura profissional em termos de comunicação, falta saber expor seus pensamentos, suas opiniões de maneira mais clara.

Desde os tempos do Chacrinha se fala de comunicação e em todos os meus trabalhos, seja na clínica, na psicoterapia de família, de casal ou cursos, sempre começo com um trabalho de comunicação, para que o grupo fique harmônico. Comunicando passa a haver um bom rendimento. Para haver uma boa comunicação entre eu e o meu público presente é necessário este vínculo.

O estudo é fundamental, mas pessoas muito simples às vezes tem uma comunicação clara. Quando a comunicação verbal é colada, amalgamada, algodoada também pelo afetivo, fica muito mais fácil. Minha neta falou agora no carro pra mim: “Eu conheço uma menina muito gentil”. E me contava uma história onde a menina gentil era eu. Com três anos e meio ela sabe o que significa gentileza, comunicação com chantilly e cerejinha. A crítica com a verdade do afeto é diferente de uma destrutiva.

A comunicação precisa de críticas e as pessoas não sabem nem criticar, nem aceitar críticas. A comunicação não violenta tem um papel importante. No grito não funciona, só cria revoltas e passamos por uma proibição de comunicação arbitrária e déspota, como à época do AI -5, na ditadura, quando ninguém tinha liberdade de expressão. Eu sou desta época, eu lutei muito para que tivéssemos liberdade de expressão. Pessoas foram torturadas, exiladas, nossos comunicadores, nossos grandes poetas, que comunicam com gentileza, a exemplo de Caetano Veloso, Chico Buarque, Vinicius de Moraes foram punidos por serem comunicadores com afeto, porque a verdade aí aparece.

A comunicação com afeto, não era interessante para a ditadura, assim como não era conveniente que as pessoas se unissem. Era proibido conversar na esquina, era proibido comunicar, eram proibidos encontros em grupos, porque a comunicação une.

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