MEDO 1

É possível viver sem medo algum?

Felizmente não.

O que é o medo?

O medo é uma reação em cadeia no cérebro que tem início com um estímulo de estresse e termina com a liberação de compostos químicos que causam aumento da freqüência cardíaca, aceleração na respiração e energização dos músculos. O estímulo pode ser uma aranha, um auditório cheio de pessoas esperando que você fale ou a batida repentina da porta de sua casa.

O cérebro é um órgão extremamente complexo. Mais de 100 bilhões de células nervosas compõem uma intrincada de rede de comunicações que é o ponto de largada para tudo o que sentimos, pensamos ou fazemos. Algumas dessas comunicações levam ao pensamento e à ação consciente, ao passo que outras produzem respostas autônomas. A resposta ao medo é quase inteiramente autônoma: não a disparamos conscientemente.

Como as células do cérebro estão constantemente transferindo informações e iniciando respostas, há dúzias de áreas do cérebro envolvidas no sentimento de medo. Mas pesquisas mostram que determinadas partes desempenham papéis centrais nesse processo.

Tálamo – decide para onde enviar os dados sensoriais recebidos (dos olhos, dos ouvidos, da boca e da pele).

Córtex sensorial – interpreta os dados sensoriais.

Hipocampo – armazena e busca memórias conscientes, além de processar conjuntos de estímulos para estabelecer um contexto.

Amígdala (Tonsila cerebelar) – decodifica emoções, determina possíveis ameaças e armazena memórias do medo.

Hipotálamo – ativa a reação de “luta ou fuga”.

O processo de criação do medo começa com um estímulo assustador e termina com a reação de luta ou fuga. Mas há pelo menos dois caminhos entre o início e o final do processo.

Criando medo O processo de criação do medo acontece no cérebro e é totalmente inconsciente. Há dois caminhos envolvidos na reação de medo: o caminho baixo é rápido e desordenado, ao passo que o caminho alto leva mais tempo e entrega uma interpretação mais precisa dos eventos. Ambos os processos acontecem simultaneamente.

A idéia por trás do caminho baixo é “não arrisque”. Se a porta da frente de sua casa repentinamente bate, pode ser o vento, mas também pode ser um ladrão tentando entrar. É muito menos perigoso presumir que se trata de um ladrão e descobrir que era só o vento do que presumir que é o vento e aparecer um ladrão em sua frente. O caminho baixo é do tipo que atira primeiro e pergunta depois. O processo desse caminho é mais ou menos assim:

A porta batendo é o estímulo. Quando você ouve o som e vê o movimento, seu cérebro envia esses dados sensoriais para o tálamo. Nesse ponto, o tálamo não sabe se os sinais que está recebendo são sinais de perigo ou não. Mas, pelo fato de poder ser, ele encaminha a informação para a amígdala. A amígdala, por sua vez, recebe os impulsos neurais e age para proteger você: ela diz ao hipotálamo para iniciar a reação de luta ou fuga.

O caminho alto é muito mais ponderado. Ele reflete sobre todas as opções. Será um ladrão ou será que é o vento? Esse é um processo meis longo.

Quando seus olhos e ouvidos captam o som e o movimento da porta, eles desviam essa informação para o tálamo, que, por sua vez, envia a informação para o córtex sensorial, no qual é interpretada em busca de um significado. O córtex sensorial determina que há mais de uma interpretação possível para os dados e os envia ao hipocampo para que ele estabeleça um contexto. O hipocampo faz perguntas como: “Eu já vi este estímulo específico antes? Se vi, o que significou naquela vez? O que mais está acontecendo que pode me indicar se isso é um ladrão ou efeito de um vento forte”? O hipocampo pode captar outros dados sendo enviados pelo caminho alto, como o bater de galhos contra a janela, ruídos externos, etc. E, levando em consideração essas outras informações, ele determina que a batida da porta provavelmente foi resultado do vento. Depois, envia uma mensagem para a amígdala dizendo que não há perigo e a amígdala informa ao hipotálamo para desligar a reação de luta ou fuga.

Os dados sensoriais a respeito da porta (os estímulos) seguem os dois caminhos ao mesmo tempo. Mas o caminho alto leva mais tempo do que o caminho baixo. É por isso que você tem um ou dois momentos de medo antes de se acalmar.

Todas essas reações físicas têm a intenção de lhe ajudar a sobreviver a uma situação perigosa. O medo (e a reação de luta ou fuga em particular) é um instinto também no ser humano.

Quando o hipotálamo informa ao sistema nervoso simpático que é hora de entrar em ação, o efeito geral é que o corpo acelera, fica tenso e mais alerta. Se houver um ladrão à porta, você vai ter de fazer algo, e rápido. O sistema nervoso simpático envia impulsos para as glândulas e músculos lisos e diz à medula adrenal para liberar adrenalina e noradrenalina na corrente sangüínea. Esses “hormônios do estresse” efetuam várias mudanças no corpo, incluindo um aumento na freqüência cardíaca e na pressão sangüínea.

A vazão repentina de adrenalina, noradrenalina e vários outros hormônios causa mudanças no corpo:

Aumento da pressão arterial e freqüência cardíaca; pupilas dilatadas para receber a maior quantidade de luz; artérias da pele contraidas enviam maior quantidade de sangue musculos maiores (reação responsável pelo “calafrio” muitas vezes associado com o medo – há menos sangue na pele para mantê-lo aquecido); menos glicose sangüínea;

sistemas não essenciais (como o digestivo e o imunológico) são desligados para guardar a energia para as funções de emergência;

há dificuldade para se concentrar em tarefas pequenas (o cérebro deve se concentrar em somente uma coisa para determinar de onde vem a ameaça).

Todas essas reações físicas têm a intenção de lhe ajudar a sobreviver a uma situação perigosa. O medo (e a reação de luta ou fuga em particular) é um instinto que todo animal possui. os músculos enrijecem, energizados por adrenalina e glicose (reação responsável pelos arrepios – quando pequenos músculos conectados a cada pêlo da superfície da pele tencionam, os fios são forçados para cima, puxando a pele com eles); a musculatura lisa relaxa para permitir que entre uma maior quantidade de oxigênio nos pulmões

O medo é um guia. O medo segura, protege. As emoções protegem, avisam que algo está acontecendo.

E a fobia, que é um medo exagerado, o que ela delata?

Não delata apenas, também obstaculiza, tornando-se um distúrbio.

E a síndrome do pânico? E a fobia e a síndrome do pânico, têm diferença?

A síndrome de pânico tem sintomas físicos, taquicardia, sudorese, sensação de morte.

Qual a origem da denominação “síndrome do pânico”?

Pan era um Deus da mitologia grega. Ele era muito, muito feio, tinha cara de bicho. Um olhar medonho, quatro patas, cascos de cabra, meio bode, meio gente, assustava pessoas que moravam em Ágora, e essas pessoas corriam de medo dele, daí vem o nome pânico.

O medo pode também ser um amigo, ele dá toques, sinais, avisos. Sinto medo no estômago. Posso desenvolver azia, gastrite, úlcera, câncer de estômago se não souber lidar com ele.

No ânus também sinto o medo, mas de sentir raiva. Nos rins também, mas é a famosa insegurança, ou o medo da vida, das coisas da vida. Há também o medo infantil, aquele medo de tudo.

Existem também as fobias, medo de coisas específicas como de avião, altura, insetos e outros.

Alguns medos me colocam em estado depressivo, desmotivam, bloqueiam, evitam, impedem, paralisam e suspendem a respiração.

Aprender a conhecê –los e gerencia – los me permite maior conhecimento do meu íntimo e melhor aproveitamento do que eles podem me proporcionar como proteção.

A sensação de medo muitas vezes é um aviso do que o corpo já pressentiu, mas foge de minha percepção. Por conta disto, o interessante é aprender a conservar um estado de atenção, que é o equilíbrio entre o estado de alerta e a desconsideração com o que se está sentindo. O estado de alerta em exagero produz o stress de alerta.

Quando a proteção natural do medo é insuficiente pelas agressões do meio ambiente, fazemos uma defesa denominada couraça. A couraça é um conjunto de bloqueios, ela é produzida e não natural. A couraça pode e deve ser dissolvida para não aumentar e produzir patologias psicológicas ou físicas, ou ambas.

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