Ataraxia

Ataraxia é um termo ligado às correntes filosóficas gregas do Ceticismo, Estoicismo e Epicurismo. Do grego ataraktos, imperturbado: (a = não; tarassein, tarak- =perturbar).Sinônimo para:

A experiência do ótimo, a qual leva ao prazer natural, ético e estável.

Segundo tais correntes, a ataraxia é possível de ser alcançada:

  • Atendendo-se aos desejos naturais;
  • Ignorando-se os desejos superficiais;
  • Eliminando-se as paixões

A ataraxia epicurista é basicamente o triunfo da razão do homem – geralmente a duras penas – sobre a irracionalidade do ambiente que o circunda. É um estado de espírito onde o homem deixa de temer o divino, a dor e principalmente, a morte.

O estoicismo, filosofia desenvolvida no período pós-socrático, preconizava a resignação com o sofrimento e a dor. Dizia que dor e prazer são ilusões de nossa sensibilidade, e que o homem pode superar tais estados através de exercícios de reflexão e ascese espiritual.

Além dos epicuristas, os estóicos foram os principais responsáveis pelo ensinamento e uso deste conceito. Entre os maiores pensadores do estoicismo difusores da ataraxia, encontramos o filósofo grego Zenon, e os latinos Marco Aurélio e Sêneca.

Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, adotou a ataraxia como forma de vida.

É o poeta clássico, da serenidade epicurista, que aceita, com calma lucidez, a relatividade e a fugacidade de todas as coisas. “Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio”, “Prefiro rosas, meu amor, à pátria” ou “Segue o teu destino” são poemas que nos mostram que este discípulo de Caeiro aceita a antiga crença nos deuses, enquanto disciplinadora das nossas emoções e sentimentos, mas defende, sobretudo, a busca de uma felicidade relativa alcançada pela indiferença à perturbação. Defende o prazer do momento, o “carpe diem”, como caminho da felicidade, mas sem ceder aos impulsos dos instintos. Apesar deste prazer que procura e da felicidade que deseja alcançar, considera que nunca se consegue a verdadeira calma e tranqüilidade – ataraxia.

– “Carpe diem” (aproveitai o dia), ou seja, aproveite a vida em cada dia, como caminho da felicidade;

– Buscar a felicidade com tranqüilidade (ataraxia);

– Não ceder aos impulsos dos instintos (estoicismo);

– Procurar a calma, ou pelo menos, a sua ilusão;

Considera que a verdadeira sabedoria de vida é viver de forma equilibrada e serena, “sem desassossegos grandes”.

A sabedoria consiste em saber-se aproveitar o presente, porque se sabe que a vida é breve. Há que nos contentarmos com o que o destino nos trouxe. Há que viver com moderação, sem nos apegarmos às coisas, e por isso as paixões devem ser comedidas, para que a hora da morte não seja demasiado dolorosa.

Preciso dizer mais? Vamos tentar viver isto? Viver assim? Que tal poder pouco a pouco criar e cultivar este habito? Este bom habito. Mente leve, corpo leve.

 

 

 

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