Porque tantas pessoas estão insatisfeitas com o emprego?

 

O que está por trás da insatisfação que gera evasão e ausência no trabalho? As pessoas não sabem que é insatisfação? A satisfação é a sensação de ficar pleno, cheio, repleto. De ficar confortável. Quando a gente não tem um bom salário, a gente fica insatisfeita com o ganho que tem. Mas não é isso que faz com que as pessoas fiquem mais descontentes. A insatisfação no trabalho é em outros aspectos, especialmente os psicossomáticos. Por que as pessoas evadem, saem do trabalho com justificativas médicas, todas documentadas com perícia? Porque elas realmente estão doentes. Os médicos atestam de fato. É porque elas ficam doentes e não sabem que é uma insatisfação, e não sabem da onde vem esta insatisfação também. Elas não se percebem, elas só ficam fazendo doenças físicas e vão tratando esta doença.

Como eu sou especializada em corpo também e trabalho com psicossomática, quando sou chamada nas empresas, para fazer o diagnóstico do motivo pelo qual estatisticamente, o ambiente corporativo registra muita evasão com síndromes, principalmente de enxaqueca, problemas de coluna, e problemas gástricos. As empresas perdem com a ausência ou com a baixa produtividade deste funcionário e não sabem por quê. E aí a insatisfação tem vários pontos. Pode ser insatisfação consigo, porque não gosta do que faz, e também não tem clareza, não se dá conta de que existem outras opções. Ela acha que tem que trabalhar pelo salário e não cogita a possibilidade de sequer pensar em outra carreira ou fazer outro curso para mudar de vida, por exemplo. É claro que não é prudente de imediato se desfazer do seu trabalho. Mas a queixa constante “ai eu tenho que trabalhar, ai eu tenho que trabalhar”. “Ah que bom já é sexta-feira, amanhã eu não preciso trabalhar” indica que é necessário buscar mudanças.

Algumas pessoas apresentam a “Síndrome do Fantástico”, que são angústias no final da noite de domingo, porque uma nova semana vai começar. As pessoas reclamam muito da segunda feira. Mas por que, não é? É uma crença. É como a gente dizer que leite com manga faz mal. Alguém um dia disse: “ai que pena segunda-feira é chato, porque terminou o final de semana”. Ninguém lembra que domingo é o primeiro dia da semana, segunda-feira é o segundo. Não é?

Quando a gente trabalha por escolha própria, porque fez a opção de ter um padrão de vida, trabalhar é um valor, afinal se ganha dinheiro, que nos dá conforto e prazer, que a gente não quer dispensar. Todo mundo pode também ficar sem trabalhar e ter uma vida de rua, de mendicância, ou uma vida amoral, fazendo um tráfico de drogas, ou atividades ilícitas ou de natureza desonesta. Mas não foi isso que a gente escolheu, eu pelo menos não escolhi isto. Então eu trabalho. Mas eu trabalho porque eu quero, porque eu gosto, no que eu gosto. Claro que eu fui conquistando isso. No início de carreira, a gente faz qualquer coisa, porque a gente precisa começar a experimentar inclusive o que se gosta e o que não se gosta. Mas aos poucos a gente vai definindo, e como eu já tenho mais de 35 anos de carreira, já posso definir o que eu quero e escolher. Isto tudo é uma construção passo a passo.

E se eu estou num emprego, e faço uma coisa que não gosto, tenho que me preparar para ter outro rumo de carreira. Eu fiz coaching para fotógrafa hoje que era do jurídico de grande empresa de comunicação. Já atendi psicóloga que é dona de pousada e muitos outros casos.

Algumas vezes, a pessoa sente uma espécie de angústia e não sabe exatamente a causa, a origem. Nestes casos, ela tem algum tipo de sonho que está guardado no coração. Qual que é o primeiro passo então, para que a pessoa perceba e administre esta situação da melhor forma possível?

Como os olhos são voltados para fora, até invejam o outro que fez isso, que fez aquilo sem dar o 1º passo, sem coragem de tomar uma atitude. Ou admirando o outro, que diz olha fez isso e fez aquilo. Uma professora universitária que se transformou em designer de moda, e agora feliz e satisfeita, sente-se valente, corajosa. Mas não vê que todos têm possibilidades de mudança, porque seus os olhos estão virados pra fora. Tem que olhar para si e admitir, ser valente e admitir – “não é isso que eu quero, não estou satisfeita.”

Este tema que eu tenho escrito a respeito e estamos falando aqui e agora, é exatamente para que as pessoas tenham o alerta de que elas podem fazer as suas mudanças. Se não imediatas, a médio e longo prazo. Mas só vislumbrar outra condução e condição de vida, já dá uma motivação excelente.

E às vezes nem é mudar de carreira, é ter um hobby. É, por exemplo, uma pessoa que fica assim, fascinada ao ver os outros dançando, não é? E são engenheiros, por exemplo. Uma engenheira, uma arquiteta… Não é que ela não gosta do que ela faz, mas ela também tem esta vocação, este dom, esta vontade, este desejo, esta motivação. Queria ser uma dançarina ou uma bailarina, então vai a todos os balés, compra todos os ingressos. Existe em Curitiba uma senhora que eu admiro muito. Ela trabalha em agência de publicidade é muito eficiente e muito reconhecida, e dança balé.

Eu sou uma dançarina. Não gosto de balé, mas gosto de dançar dança de salão. E quando eu não posso fazer isso, quando me tiram esta possibilidade, por um problema de saúde ou qualquer coisa eu sinto muita falta. Eu gosto de desenhar. Então porque eu não posso pegar lá um caderno e ficar desenhando?

 

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