Uma história de mudanças rápidas e profundas

UMA HIST0RIA DE MUDANCAS RAPIDAS E PROFUNDAS

Nasce uma psicoterapeuta corporal

Parteira – uma cliente

 

Atendi uma cliente, com um LP, Long. Play embaixo do braço. Ela me disse:

Eu vim aqui porque eu me sinto assim…

Ela me mostrou a capa do Long. Play dos Secos e Molhados, que era assim, uma cabeça em cima de uma bandeja.

Eu disse: _ Qual é sua profissão?

Minha profissão é Educação Física. Eu trabalho com danças rítmicas.

Como é que uma mulher, que sente tem uma cabeça, tem essa profissão?

Talvez eu procurasse para ver se meu corpo aparecia.

_ Você poderia fazer uma gentileza? Eu não vou cobrar a sessão de hoje. Na semana que vem você volta, e eu vou pensar no assunto porque eu não sei o que fazer.

Eu não conheço! Eu nunca imaginei! É muito paradoxal! Mas de fato, eu tinha ficado muito intrigada porque aquilo que ela falou me pegou muito… Eu pensei assim… Eu também acho que eu só sou uma cabeça em cima de um corpo… Porque a minha bandeja é o corpo. Eu não enxergo o corpo, eu não vejo o corpo. Eu sou só uma cabeça.

Então  comecei a fazer uma pesquisa a respeito, e a entrar em agonia, porque não achava nada que dissesse a respeito a corpo no que eu pesquisava. Não havia internet naquela época. Entrava na biblioteca, na Livraria do Chaim e ficava procurando nos livros.

Pensei em perguntar para Maria do Carmo, uma psicoterapeuta que se formou comigo, uma mulher espetacular, uma amiga de verdade e profissional competente e sempre atualizada com tudo que há no planeta.

E me disse: ”acho que isso aí só se resolve com Bioenergética, técnica que trabalha o corpo.”

Eu me despedi pensando onde que eu vou achar essa tal de Bioenergética.

E vi um rapaz colocando um cartaz: Curso de Bioenergética em Curitiba. E eu fui fazer o curso com Ester Frankel*

 

Estava em minha clínica em Curitiba numa tarde ensolarada quando entrou uma cliente que agendara um horário comigo no dia anterior. Era a primeira consulta de uma mulher alta e esguia de pele amorenada num tom muito bonito, tinha perto de 45 anos e trazia na mão uma bolsa e um disco de vinil.

Perguntei o que a trazia para uma psicoterapia e ela me disse mostrando-me a capa do disco: “eu me sinto assim!”.

Era o disco do conjunto de rock “Secos e Molhados”, onde os componentes aparecem apenas com as cabeças sobre lindas bandejas tal qual João Batista pós Salomé. Perguntei qual era sua profissão e fui informada de que era professora de educação física da UFPR na disciplina de ginástica artística e rítmica, portanto só trabalhava com corpo e, paradoxalmente, só sentia sua cabeça!  Pedi licença para voltar a vê – la na semana seguinte, confessando não saber como lidar com tal dilema. Percebi que também me sentia assim, era meu também seu dilema.

Na mesma semana fui visitar uma amiga em sua clínica para falar a respeito. Minha capacitada e competente amiga me disse: “pode tratar isto com a Bioenergética, uma nova linha de psicoterapia com abordagem corporal.” Os cursos existiam somente em São Paulo ou Rio de Janeiro.

Despedi-me bastante preocupada e ao chegar à porta de saída um rapaz pregava um cartaz. Li curiosa e deparei-me com a palavra bioenergética em letras verdes enormes. Era um curso em Curitiba, caríssimo para uma mãe recente e com novo endereço comercial.

Meu pai me emprestou o dinheiro do curso e, ao chegar, vi uma moça de terninho azul e cabelos presos num coque. Imaginei ser esta a professora. Fui me sentar ao lado de uma moça simpática que sorriu pra mim quando cheguei. Cabelos longos soltos, ondulados e num tom avermelhado dourado, com uma roupa frouxa e colorida. Eu vestia um macacão de lycra preto com decote pronunciado de tecido molenga. A moça da roupa colorida era a professora e falava de corpo e alma numa linguagem só. Falava de energia, da energia de ambos.

Eu bebi suas palavras! Levei – a para conhecer a cidade a seu pedido e tirei – a do hotel e hospedando – a em minha casa com seu bebê de 4 meses, pelo meu desejo de te – los por perto.

Após 15 minutos de aula, outra moça, psicóloga, num macacão de ginástica muito feminino e colado em seu corpo escultural, pediu a palavra e disse a todos mas dirigindo – se professora e referindo-se à mim: “ela é obesa, como pode fazer este curso com este corpo?”

A professora respondeu: “ninguém tem o corpo que quer ter, mas o que pode ter. Porém, ela esta com um macacão super sensual deixando à mostra o colo e parte dos seios, e não com um malha que cobre todo o corpo.”

Validando meu eu e re – significando o conceito de corpo subtraindo qualquer preconceito, trouxe o corpo político e diplomático, no conceito da filosofia reichiana.

Aprendi muito neste ano de curso e de convívio, adotando imediatamente esta linha como minha. Da Bioenergética para conhecer Reich foi um prazeroso e delicioso passo. Grata minha mestra Esther Frankel.

 

 

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