Você não precisa falar agora,

OUVIR TAMBÉM É IMPORTANTE PARA O SUCESSO PROFISSIONAL

 

A dificuldade do ser humano de realmente se ouvir, se entender, estar aberto à conversa e também a escuta ativa, traz à tona a pergunta: falta humildade nas pessoas que não ouvem o próximo?

Arthur da Távola, em 1979 no jornal O Globo publicou o artigo, O DIFÍCIL FACILITAR DO VERBO OUVIR, e em um dos trechos finais, ele diz que ouvir é raridade, ouvir é proeza, ouvir é sabedoria, e que as dificuldades de ouvir não tem nada a ver com humildade. A dificuldade de ouvir é das pessoas muito inteligentes. Quanto mais inteligente mais dificuldade de ouvir ao outro. A produção interna/ mental de uma pessoa muito inteligente é uma coisa absurda, e ela acaba tendo muito a expressar. Eu sempre digo: saber ouvir, saber falar e saber calar é a sabedoria na comunicação.

Aquela pessoa não olha quando fala. Ela é falsa? Não tem nada a ver com falsidade. As pessoas não olham umas para as outras quando falam, por uma inibição no anel ocular. No comércio, atendem de cabeça baixa. O caixa do banco diz bom dia, mas sem olhar. E conversar com uma pessoa que não consegue olhar por quê? Qual o motivo? Porque é falsa ou desinteressada? Não. E sim, porque tem uma inibição. Olhar para o outro, se tornou uma forma de preconceito terrível. Homens que olham para homens são gays, mulher que olha para homem está afim de um caso, homem que olha para uma mulher equivale a assédio, enfim, muitos exemplos neste sentido, trazem a percepção desta questão.

Pense na possibilidade de não enxergar. Como é difícil! Então, é importante lembrar e valorizar esta aptidão, este brilho, esta luz interna que sai pelos olhos. E os olhos não mentem. Você pode estar com um sorriso, mas se está triste, seus olhos mostram. Se você está com raiva pode dizer uma palavra doce, mas os olhos fuzilam. Aquela velha história que diz que os olhos são o espelho da alma é verdade. Uma forma de esconder o que se está sentindo é não olhar. O olhar tem uma força tão grande, que não precisa nem olhar penetrantemente, como que se quisesse entrar no outro de forma invasiva. Simplesmente o contato com o olhar, é revelador.

Da mesma forma, não é necessário gritar para falar. Li que quando as pessoas gritam umas com as outras é porque os corações estão longe. Uma mãe, por exemplo, que diz que os filhos não ouvem: “eu falo, falo, falo com eles, e não me ouvem”. Como melhorar a comunicação neste caso? Primeiro, ela tem que começar a ouvir a si própria. “Eu quero trazer meus filhos para fazer terapia porque eu não agüento mais! São dois adolescentes e uma criança. Eu falo, falo e ninguém me escuta em casa”.

Eu digo venha você antes, e após um mês, um mês e meio, muda tudo em casa, porque ela mudou, não é? Mãe é um esteio muito importante dentro da família. Se  não está equilibrada, desequilibra a família, o casamento, as relações… Então é importante que ela se comunique bem com ela mesma e com o outro, senão gera ruído e não comunicação.

Vamos fazer um combinado: daqui pra frente é assim, assim, assim, e vocês fazem esta parte, eu vou fazer a outra. Se não fizerem esta parte, não faço a minha e vocês ficam sem também. Sempre um combinado, não uma negociação para que não fique mercantilista. Por exemplo: “olha se você arrumar o quarto todos esses dias, eu te dou um presente no final da semana.” Assim fica mercantilista.

Na relação de troca, porque comunicação é troca, na palavra, no olhar, num ambiente agradável, é possível, por exemplo, se sentar todo mundo numa sorveteria e fazer um combinado. É uma delícia. Não é necessário gritar e depois nunca mais falar no assunto. Mas se o quarto não estiver arrumado, fica sem alguma coisa em troca do que a mãe normalmente faz: leva ao clube, à aula de natação, ao cinema, leva nisso leva naquilo, faz a janta, faz o almoço. Começa a tirar os benefícios, até que a criança entenda que é uma proposta de cooperação, de colaboração, que deve haver na “empresa” família, corporação, e/ou instituição empresarial.

Não é só na palavra que se faz comunicação. Pelo contato físico, pelo corpo, e até no silêncio, também acontece uma comunicação importantíssima. As pessoas ficam nove, dez horas trabalhando juntas e não se cumprimentam com um aperto de mão, não dão nem um abraço. As mãos são as franjas do coração, como não podemos dar o coração para o outro, ou colocar para o outro, esta “mantinha”, esta “echarpe”, os braços, com as franjas, ou seja, as mãos, é que fazem o contato com o outro e com o próprio corpo. Há momentos que não dá para falar, que é hora de tocar, que é hora de dar a mão, que é hora de ficar junto em silêncio, ouvindo o outro.

Temos o poder de olhar, falar, tocar, falar com uma linguagem clara, ouvir o outro, silenciar e saber calar para ter ritmo. Propiciar uma conversa, uma troca, e não só um monólogo ou discurso. Casais que sabem brigar de mãos dadas e que não vão dormir com uma briga sem antes resolver, que não dormem brigados, são casais muito felizes. Com os filhos e no ambiente de trabalho é a mesma coisa.

Você não precisa falar agora, mas que não haja demora, não deixe passar muito, acumula e depois explode ou implode e as pessoas adoecem quando implodem.

 

 

 

 

 

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