Pais precisam de troca de experiências

Pais precisam de troca de experiências: Filhos não vêm com manual

Com 30 anos de atuação na área de terapia de vínculo e família, criei programa para troca de experiências sobre educação dos filhos, chamado “Filhos não vêm com manual”.

A proposta é reunir educadores, terapeutas e pais na busca de informações para formar uma família com pais e filhos companheiros, cúmplices, com convivência alegre e bastante diálogo.

as conversas giram em torno de temas como briga entre irmãos, ciúme com a chegada de um filho mais novo, como educar gêmeos, os problemas decorrentes das comparações entre um filho e outro e os dilemas da vida moderna, como ausência dos pais por conta do trabalho, escola, cuidadores etc.

Não existe uma escola de pais, por isso a troca de experiências é a melhor forma de aprender a ser cada vez melhor na formação da família.

briga entre irmãos, por exemplo, já foi tema de um dos encontros. Os pais não sabem que postura tomar, às vezes saem em defesa de um filho porque é menor, quando devem ser manter neutros e estimular as crianças a dialogar e chegar a um consenso lembrando que os conflitos entre irmãos são uma boa preparação para a convivência com outras pessoas na idade adulta.

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Família e férias

Na minha vinda de São Paulo, voltando para casa observei no aeroporto de Guarulhos um movimento atípico do que eu vejo de cada quinzena que vou visitar minha família e trabalhar.

A presença de muitas pessoas com mais de 60 anos e muitas crianças, muitas.

Muitos pais saindo chorando e filhos embarcando chorando, acenando despedindo de seus pais.

Já no avião ou até na sala de embarque já estavam serenos, sorrindo e alegremente agitados. Claro, estavam de férias, pois era 30 de junho o ultimo sábado de junho, na segunda próxima não haveria aulas.

Um outro grupo, mães e avos receptivas e felizes ouvindo as instruções e orientações das mamães aflitas, por deixarem seus filhos irem e elas perdendo o controle de sua presença física com eles.

Que e quantos conflitos os pais vivem, pois não podem tirar férias e as crianças estão de férias!

E aqueles que não têm avos, nem em outra cidade ou ninguém que olhe por seus filhos na férias deles? Ou quando os pais querem tirar férias e uma parte dos dias destas férias quer viver apenas como casal, sem a presença dos filhos e não tem quem cuide deles?

Como equilibrar a vida nestes dias sem escola, sem culpa, sem crise e proporcionando ao mesmo tempo lazer para os pequenos?

Primeiro que culpa não existe, pois não é ocasionado voluntariamente pelos pais. Em segundo lugar, os pais presentes no dia e fins de semana, com qualidade na relação mesmo que a quantidade de tempo seja pequena, aqueles pais que descansam da suas horas árduas de trabalho brincando e convivendo, fazendo estripulias com seus filhos, jogando competindo e fazendo jogos corporais desde guerra de travesseiros, montar no “cavalinho” – costas dos pais, pega, rolar pelo chão, ataque de beijos… os filhos tem férias todas as semanas, e inteligentemente podem gerenciar este tempo de escola em férias com trabalho ou ausência de férias dos pais neste mesmo período. O lazer tem que ser sempre e não em restritos períodos intervalos semestrais.

Pode haver lazer se trouxer alguém avos, tios, primos, amigos adultos que possam fazer “programas infantis” com os pequenos cheios de energia para gastar com atividades saudáveis, parques, praças, shows, teatro, livrarias, cinema, e zoológico, museus e passeios de turismo na sua cidade, etc. ou mesmo uma escola com curso de férias, acampamentos, acantonamentos, enfim… Sem culpa a inteligência funciona melhor e a criatividade e novas ideias também estão aí para serem usadas para achar alternativa tranquila ou varias alternativas associadas e boas férias, para todos adultos e crianças!

 

Pais que trabalham muito

Bebês são frágeis e indefesos e sofrem muito a ausência e separação das mães logo ao nascer. Vem de um momento único de intrínseca ligação com a mãe no intra uterino e não sentem – se sozinhos tendo o constante ritmo do coração materno, ininterruptamente em seus ouvidos.

Logo vem a 1ª separação com o seu nascimento. A sua fragilidade e insegurança multiplicam – se infinitamente com inúmeros estímulos hostis de frio, calor, incômodos de higiene, dores, água, luz, e toques abruptos, sons desarmônicos, ruídos, causando sustos e contrações.

Os 1ºs anos de vida são a base estrutural para uma criança que definirá o adolescente e o adulto de amanhã.

Que individuo teremos no futuro com a ausência excessiva dos pais que trabalham muito?

A 1ª conseqüência grave é a instalação de uma indiferença por que para aquela “pessoinha”, a ausência é como indiferença e percebe que não adianta chorar, gritar, sofrer que esta realidade não se modifica. Diante de sua impotência em livrar – se desta dor e angustia de abandono, com medo e nas mãos de pessoas desconhecidas muitas vezes, defende-se com a indiferença e isto é a instalação de sentimentos e sensibilidade mortos, pois indiferente é só o organismo morto, aquele que não sente.

Adolescentes que não atendem aos pedidos de seus pais e de adultos – autoridade como dizem eles “não estão nem aí com nada”.

Adultos que não se importam com os outros, sem compaixão, agressivos, egoístas e voltados só para si mesmos,e afastados de seus pais que não conhecem, não aprenderam a conhecer, a conviver, a cuidar e não sabem conquistar. Pais abandonados que não conseguem imprimir nos seus descendentes seus valores de pessoa, de moral, de comportamento ético, de cidadania e afetivos.

Pais e filhos solitários sem vínculos de amizade e gratidão, de reciprocidade e respeito.

Isto vale a pena? Qual a solução para tal?

É preciso analisar cada casal por eles mesmos e achar soluções conciliatórias que impeçam este sofrimento para pais e filhos e suas graves conseqüências no futuro.

Pais melhores, filhos felizes, adultos conscientes, pais presentes, infância feliz e amparada, adultos éticos.

Presente do Dia das Crianças pode influenciar no futuro dos filhos – pais e filhos 1

Com o Dia das Crianças  é hora de pensar nos presentes. Nesse momento, os pais ficam em dúvida se o certo é dar o que os filhos pedem ou o que eles acham que devem dar. Afinal, existe presente certo? Realizar os desejos dos filhos é a melhor forma de garantir a felicidade da criançada? Mais que isso: o simples presente em uma data comemorativa pode trazer problemas para a vida filhos? Na visão da psicoterapeuta especializada em famílias Su Kardosh, sim. “As consequências existem. Tanto no presente, quanto no futuro.”

Uma das características da vida moderna é a aceleração das etapas da vida. As crianças estão se tornando adolescentes cedo demais e queimando etapas do desenvolvimento humano, alerta a psicoterapeuta Su Kardosh. “As crianças estão muito interessadas em celulares, tablets e computadores. Querem estar conectadas à internet para atender o desejo de fazer parte do mundo totalmente interligado. Mas, ao conviver com os aparelhos, elas reduzem a capacidade de convivência social, se tornam sedentárias por deixar de brincar, de fazer amigos reais e acabam queimando a etapa de ser criança”, diz a psicoterapeuta.

O uso descontrolado dessas tecnologias pode prejudicar o presente e o futuro das crianças. No presente, os sintomas mais claros são: constante desvio de atenção, perturbação em sala de aula, dificuldade de comunicação interpessoal, falta de alegria no convívio familiar, sedentarismo e até mesmo melancolia quando estão desconectadas da internet. Para Su Kardosh, os reflexos da infância não vivida são adultos com deficiências de comunicação e sérias dificuldades de se adaptar as fases da vida. “A falta de viver a infância pode se manifestar quando se chega, por exemplo, aos trinta anos. A pessoa se recusa a entrar na fase adulta. Inconscientemente, começa a resgatar tudo o que deveria ter vivido na infância. O resultado disso são adultos incapazes de tomar decisões importantes para o próprio futuro”, enfatiza.

Mesmo com todos os avanços tecnológicos, os melhores presentes para as crianças continuam sendo os brinquedos mais simples. A simplicidade dos brinquedos contribui para instigar a imaginação. Os jogos como quebra-cabeça são ótimos para estimular a capacidade lógica. Os brinquedos que promovem a atividade física e o convívio em grupo também são importantes para desenvolver habilidade de trabalhar em equipe. Contudo, o mais importante é evitar o contato das crianças com brinquedos e jogos violentos, até mesmo um “inocente” revólver de água. Eles estimulam e criam hábitos violentos.

Para cuidar dos filhos, é preciso tomar atitudes no presente sempre olhando para o futuro. Por isso, realizar todos os desejos das crianças não é a melhor forma de garantir a felicidade duradoura filhos. “São os pais que devem tomar as decisões, não os filhos. O que os pais desejam para os filhos? Que eles sejam adultos felizes, bem sucedidos na vida pessoal e social. Para isso, é preciso preservar a infância das crianças e cuidar para que elas desenvolvam plenamente cada fase do amadurecimento”, orienta Su Kardosh 

por Daya Lima